//IoT nem chegou e já virou BIoT

IoT nem chegou e já virou BIoT

Information – Education – Matchmaking

* Por Mateus Azevedo

Nem bem começamos a falar em IoT (Internet das Coisas, em inglês) e  vamos para o passo seguinte: BIoT, ou seja, a união entre Blockchain e IoT, uma das tendências tecnológicas que devem abalar nosso mundo em 2018, segundo a Fortune. ‘Mas ?’, você deve estar se perguntando. Pois é! O Open Bazaar, por exemplo, é um marketplace online para comprar e vender produtos e serviços, tipo Mercado Livre ou Ebay, só que baseado no Blockchain, ou seja, descentralizado, e usa bitcoins como uma das formas de pagamento. Sem qualquer restrição ou taxas.

IoT é a criação de um ambiente único que reúne informações de vários dispositivos e aplicações, usando sensores conectados para obter informações, permitindo que sua geladeira possa ser programada (ou até aprender com seus hábitos se vinculada a algum algoritmo de Inteligência Artificial) para sempre realizar pedidos de compra dos itens que você mais consome com a frequência certa. Mas se você achava que iria demorar muito para virarmos os Jetsons (lembra daquela família futurista criada por Hanna Barbera nos anos 60?), pode estar enganado. A razão é simples: o blockchain vai acelerar a implementação da IoT, pois barateia de forma segura essa nova rede.

É impossível fazer previsões precisas sobre como será esse novo arranjo. Exemplo disso é a própria criação do blockchain que não poderia ser prevista nem pelos maiores visionários e futurólogos. Mas é possível fazer algumas suposições conhecendo o que temos hoje.

Como o BIoT se baseia em uma plataforma descentralizada (um Dapp), sua segurança não depende de um único ente controlador, mas sim da estrutura da rede criada. Pensando na sua geladeira que sabe o que você costuma comprar, quando chegar a hora mais indicada, baseada no seu comportamento cotidiano, ela pode lançar um pedido de compra na rede. O pedido enviado busca o melhor preço, prazo de entrega e exigências de acordo com seu perfil e pode até dividir o pedido entre vários fornecedores, levando a rede a ter maior competição e menor custo, pois todos pagam uma taxa muito pequena nela (ou até não pagam nada, dependendo do caso). A entrega também será feita por um fornecedor especializado, que tenha menor custo para operar  que é especialista na tarefa e, graças aos sensores, pode escolher a melhor hora de entrega.

Ainda com o exemplo da geladeira, mas sob outra perspectiva: imagine que várias geladeiras estão conectadas no ecossistema e uma delas detecta que a peça x quebrou e que há chances de a mesma peça se quebrar nas demais unidades. Graças às tecnologias e ao machine learning, a rede é informada sobre o problema, permitindo que a marca realize uma ação preventiva nas demais. Ao mesmo tempo, se o dono da geladeira tiver uma impressora 3D, ele recebe o desenho da peça já armazenado na geladeira e imprime uma nova. A troca pode ser feita por um técnico do ecossistema ou pelo proprietário. Um vídeo sobre como realizar a troca é apresentado no próprio display do aparelho e em poucos minutos, sem gastar muito, sua geladeira está operando novamente.

Se é possível pensar nessa gama de soluções sem sequer sair da cozinha da sua casa, imagine milhões de pessoas ao redor do mundo pensando em novas soluções com essa possibilidade e, consequentemente, na demanda de profissionais que trabalhem para esse ecossistema ser criado e mantido? Para dar outro exemplo, a Fortune aponta o uso do BIoT para criar cidades inteligentes nas quais sistemas de aquecimento conectados controlam melhor o uso da energia. Ou ainda semáforos conectados e mais bem controlados na hora do rush, diminuindo congestionamentos desnecessários. Isso será fundamental quando os carros forem autônomos.

Agora, você deve pensar que isso está super distante, certo? Que máquinas programáveis, sensores diversos e a Internet são realidade, não há dúvidas. Mas a novidade é que o tal sistema descentralizado, que permite a junção das demais tecnologias e pode viabilizar o funcionamento da rede  existe. Trata-se do IOTA, que se propõe a ser uma plataforma de BioT com trocas de token, permitindo, além da conexão e fluxo de informações, a transferência financeira entre dispositivos. A plataforma foi criada em 2015 por David Sønstebø, Sergey Ivancheglo, Dominik Schienere e Serguei Popov, é baseada no Tangle (estrutura concorrente ao Blockchain) e é supervisionada por uma organização sem fins lucrativos, a IOTA Foundation. O IOTA iniciou seu funcionamento com a entidade regulando o sistema, mas quando a adoção da rede aumentar eles vão torná-lo descentralizado. O benefício disso? Como quem suporta e processa as informações são as próprias máquinas vinculadas ao sistema, como prêmio, elas não pagaram taxa alguma para transferir tokens e informações.

Se você ainda estava digerindo as ideias de mudança em cima de mudança, acostume-se: novas tecnologias estão chegando cada vez mais rápido, e o que antes podia ser retardado ou barrado por algumas instituições, hoje é criado sem botão de pausa.

* Por Mateus Azevedo. Formado em Administração pela ESPM (SP), com pós-graduação em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral, Mateus é um dos sócios da BlueLab, responsável pela diretoria de marketing e vendas da companhia.

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